DESENVOLVIMENTO DE UM BIOCOMPÓSITO A BASE DE HIDROXIAPATITA E FIBRA DE COLÁGENO OBTIDO PELO BENEFICIAMENTO DOS RESÍDUOS DO PIRARUCU

Referencia Apresentador Autores
(Instituição)
Resumo
IIa02-007
Karyane Meazza Meazza, K.(Universidade Federal do Amazonas); Andrade, J.C.(Universidade Federal do Amazonas); Ao decorrer dos anos a ciência busca fornecer materiais que permitam o desenvolvimento de dispositivos para substituir ou coexistir com os tecidos do corpo humano. Dentre estes, os biocompósitos possibilitam a melhoria de propriedades químicas e mecânicas que são requeridas na aplicação, que deverá ser capaz de fornecer o intercrescimento com o material biológico além de resistir as cargas fornecidas no local. Com o reaproveitamento dos resíduos do pirarucu após o filamento do pescado, é possível obter hidroxiapatita (HAp) e fibra de colágeno (FCn), da escama e da pele, respectivamente, tal alternativa representa baixo custo para produção de biocompósitos, quando comparada com a obtenção sintética. A combinação do mineral (HAp) com a proteína da fibra de colágeno, representam as duas fases principais do osso humano, a inorgânica e a orgânica, respectivamente, podendo assim ser utilizado como substituto ósseo devido a similaridade química com o osso natural. O objetivo deste estudo foi desenvolver um biocompósito por meio do beneficiamento dos resíduos do pirarucu, pela produção de corpos densos de hidroxiapatita (HAp), proveniente da escama de pirarucu e fibra de colágeno (FCn), proveniente da pele do pirarucu, na proporção de 15, 30 e 45% em massa de FCn em HAp. A hidroxiapatita foi obtida com o tratamento térmico-alcalino e a fibra de colágeno por extração ácida a 20°C, seguida de liofilização. Os materiais obtidos, HAp e FCn, foram caracterizados térmica, estrutural, química e morfologicamente, por meio de análises de DSC, DRX, FRX, FT-IR e MEV, respectivamente. Para direcionamento de aplicação como biomaterial foi realizado um teste de biodegradabilidade, análise microbiológica, além de ensaios mecânicos, para determinação da dureza, tenacidade à fratura. Os resultados mostraram um rendimento de 58% em massa de hidroxiapatita proveniente da escama do pirarucu, e 21% em massa de fibra de colágeno obtida da pele do piraurcu. Através das análises dos corpos densos conformados, foi possível verificar que a hidroxiapatita e a fibra de colágeno são compatíveis quimicamente, no entanto, não reagem entre si. Com o teste de biodegradabilidade foi possível verificar que houve pouca variação na massa indicando assim certa resistência à degradação quando em exposto a condições que simulam os fluídos corporais. Os ensaios mecânicos mostraram possibilidades de aplicação como biomateriais, além de uma correlação com o aumento da concentração de hidroxiapatita surtindo um efeito positivo no aumento da dureza do material. Por fim, o biocompósito formado pode ser considerado um material promissor para testes “in-vitro”, com capacidade de suportar certas cargas requeridas no corpo humano além compatibilidade química, podendo ser aplicado no tratamento de traumas ósseos.
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